Automutilação entre jovens...Por quê?

05/02/2016 09:21

A automutilação ou cutting é o ato de alguém se cortar como forma de se autopunir ou na tentativa de substituir uma dor emocional por uma física. Hoje em dia, o número de pessoas que recorre a isso aumentou bastante, principalmente, em decorrência das cobranças constantes e do stress que se vive. São práticas repetidas para controlar as emoções, ansiedade, raiva, frustrações, sensação de vazio. E às vezes, junto a isso, podem ocorrer problemas mais graves como bulimia, depressão e outros transtornos emocionais.

Segundo estudos, a automutilação atinge um em cada cinco adolescentes e adultos jovens no mundo. Eles se cortam nos braços, nas pernas e em outros locais que não são muito expostos e, consequentemente, mais fáceis de esconder os cortes e as cicatrizes. Eles se trancam no banheiro ou no quarto e repetem esse ritual tentando aplacar uma dor sentimental com a dor física, num impulso incontrolável.

A internet contribui muito para o aumento de jovens que se automutilam, pois há tribos de seguidores insatisfeitos com o corpo e as espinhas, e com problemas de convivência social e familiar. Ela possibilita esse desabafo coletivo de jovens que sentem a necessidade de identificação com outros que praticam a mesma coisa que eles. Alguns até se ajudam, mas também encorajam a praticar a automutilação quando se sentirem fragilizados e tristes. O Facebook, por exemplo, possui páginas que influenciam jovens a se automutilarem. Algumas dessas páginas chegam a ter mais de 40 mil seguidores inscritos. São comunidades com lemas como: “Sumir seria uma ótima opção”;

“Poeta que se corta”; Pulsos que choram”. Alguns desses depoimentos chegam a ser impressionantes.

A maioria das pessoas que recorre a essa prática o faz para “se sentir melhor”, mas não quer cometer o suicídio. Isso porque o cérebro começa a ligar o falso senso de alívio e fica cada vez mais difícil se livrar desse problema. Ele acaba controlando a pessoa. Isso é muito sério e requer uma boa dose de compreensão. Os jovens são atraídos pela curiosidade e tentam repetir o que a sua tribo faz, mas também são presas fáceis, devido às dificuldades na fase das mudanças, por si só já tão complicada. Fase essa em que se sentem incompreendidos e não conseguem se comunicar facilmente com os amigos e familiares. Sentem-se excluídos e encontram nesse comportamento o alívio psíquico e emocional para suas ansiedades.

Antes de tudo, eles precisam da ajuda dos pais, sem críticas e cobranças, mas com muita compreensão e amor. É essencial que os pais escutem esse grito de socorro dos filhos, que precisam ser encaminhados à terapia e em casos mais graves, caso também estejam com depressão, devem ter um atendimento psiquiátrico.

Quanto mais tempo levar para pedir ajuda, mais difícil será, pois vira um vício, já que a endorfina liberada nos cortes superficiais equivale a meia hora de corrida.

A automutilação é mais comum do que se pensa! Sem contar aqueles que escondem o problema e não procuram por ajuda. Alguns artistas confessaram ter tido esse problema em algum momento de suas vidas.  Demi Lovato confessou ter sido internada para tratar de distúrbios alimentares e automutilação. Segundo ela, em consequência do bullying que

sofreu na infância, quando a chamavam de gorda. Começou a se automutilar aos 11 anos, cheia de sentimentos conflitantes, buscando o alívio das suas dores. Hoje, ela investe em meditação e diz que precisa se observar todos os dias para não fraquejar e voltar a se automutilar. Ela diz que conta o que viveu para ajudar os jovens que passam pelos mesmos distúrbios.

Johnn Depp ator, músico, produtor de cinema, e diretor americano, ficou mundialmente conhecido ao estrelar o filme Edward Scissorhands (Edward Mãos de Tesoura), além de interpretar outros personagens excêntricos, como o Capitão Jack Sparrow na franquia Pirates of the Caribbean (Piratas do Caribe). Confessa que devido a problemas com o divórcio dos pais, praticou a automutilação.

A inesquecível princesa de Gales, Diana, chocou a família real quando confessou que sofreu de bulimia e teve depressão pós-parto, chegando a se automutilar.

A atriz Angelina Jolie abraça causas sociais e políticas em lugares como Camboja, Sudão e Nicarágua, destinando parte da sua renda para projetos humanitários, mas já levou uma vida punk, já foi fascinada por facas e armas, e admitiu que se automutilava. Inacreditável como ela soube superar seus problemas e se transformar nessa mulher incrível e tão preocupada com o mundo em que vive…

Amy Winehouse sempre teve resistência a psicólogos e psiquiatras, mesmo com o histórico e abuso de substâncias tóxicas e comportamentos autodestrutivos. Também se automutilava. A bebida e as drogas foram a razão da sua morte precoce, mas talvez se tivesse buscado ajuda ainda estivesse viva, e nos deliciando com a sua voz maravilhosa!

Estes exemplos servem para mostrar que qualquer um de nós pode ser vítima de seus próprios medos e transtornos. Alguns conseguem superá-los e reverter esse quadro triste, outros, porém naufragam, enquanto as pessoas observam e perguntam: Por quê?

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